TSE declara Cláudio Castro inelegível; Nunes Marques vota contra

março 26, 2026 Bruno Braga 0 Comentários
TSE declara Cláudio Castro inelegível; Nunes Marques vota contra

O cenário político de âmbito nacional mudou definitivamente nesta terça-feira, 24 de março de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria para declarar o ex-governador Cláudio Castro, PL inelegível. A decisão ocorre mesmo com a dissidência do ministro Kassio Nunes Marques, que argumentou pela falta de provas concretas sobre dano ao sufrágio. O julgamento teve impacto imediato na vida pública do Rio de Janeiro, especialmente considerando que o caso remonta às eleições de 2022.

Como funcionou a votação

A dinâmica no plenário foi intensa. Quando chegou a vez de fala de Nunes Marques, o placar já era favorável à censura, com dois ministros votando pela cassatão. O magistrado, entretanto, apresentou seu voto vencido. Para ele, não havia gravidade eleitoral suficiente. "Soberania popular não se protege substituindo o voto", disse ele em sua razão de votar. Após essa dissidência, outros ministros entraram na sala e viram o jogo para 4 a 1. Isso consolidou a punição.

O relator da peça foi Isabel Gallotti. Ela também estendeu a pena para o deputado Rodrigo Bacellar e o advogado Gabriel Lopes. O argumento central dela focava no uso indevido de máquinas estatais durante a campanha. A resolução final previa uma indisponibilidade de oito anos para ocupar cargos eletivos, além de multas pesadas aos envolvidos diretos.

A questão dos contratos temporários

Aqui está o coração do problema. A investigação começou quando o Ministério Público Eleitoral apontou irregularidades massivas. Durante o ano eleitoral de 2022, foram contratados cerca de 27 mil servidores temporários. O foco recaiu sobre a Fundação Ceperj e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Somente no primeiro semestre daquele ano, R$ 519 milhões saíram dos cofres públicos para sustentar essas contratações. A acusação é que esses funcionários não estavam lá para trabalhar, mas para servir como cabos-eleitorais. Segundo os autos, muitos receberam ordens diretas sobre onde deveria ser a boca de urna. A defesa de Castro sempre alegou que as necessidades institucionais exigiam a contratação, independentemente da disputa eleitoral.

Renúncia não cancela processo

Renúncia não cancela processo

Houve uma tentativa de esvaziar o caso quando o próprio Cláudio Castro renunciou ao cargo. Ele deixou o país na segunda-feira anterior, dia 23 de março. Muitos esperavam que isso encerrasse a discussão no Supremo. Não foi bem assim. A Justiça Eleitoral manteve o julgamento porque a responsabilidade penal permanece, mesmo sem o exercício do mandato atual. O precedente é claro: quem responde por abusos responde pelas consequências administrativas e penais.

Essa postura do TSE reflete um endurecimento no tratamento da justiça eleitoral nos últimos ciclos. A corte não quer criar brechas onde a renüncia possa funcionar como um salvo-conduto para futuros candidatos que cometeram irregularidades graves. Isso muda a estratégia de vários atores políticos que tinham planos para as urnas nas próximas etapas eleitorais.

O que vem por aí?

O que vem por aí?

O prazo da inelegibilidade cobre os oito anos seguintes. Isso significa, tecnicamente, que 2030 seria a primeira eleição possível para um novo registro partidário dele. Mas a situação administrativa continua complicada. As multas aplicadas pelo TSE precisam ser pagas ou contestadas judicialmente, o que pode levar a novos embates na Justiça Comum.

Enquanto isso, a coalizão liderada por Marcelo Freixo, que era a principal adversária na acusação de 2022, comemora o veredito. Eles veem isso como uma validação da integridade do sistema de votação. Por outro lado, aliádos de Castro chamam o julgamento de perseguição política. O fato é que as provas documentais sobre os gastos públicos permaneceram registradas e foram suficientes para convencer a maioria dos sete ministros do plenário.

Frequently Asked Questions

O que significa a inelegibilidade declarada pelo TSE?

Significa que Cláudio Castro não poderá candidatar-se a cargos eletivos pelos próximos oito anos. A medida visa punir o abuso de poder econômico e impedir que o beneficiado continue participando de processos eleitorais oficiais durante esse período de restrição imposta pela Justiça.

Por que a renüncia não impediu o julgamento?

A renüncia ao cargo de governador remove o mandante atual, mas não apaga as infrações cometidas durante o exercício. O processo é pessoal e segue o agente público independentemente de ele estar ou não no posto administrativo no momento da sentença.

Quem eram os principais acusadores no caso?

As acusações partiram do Ministério Público Eleitoral (MPE) e da coligação apoiadora de Marcelo Freixo. Eles sustentaram que a contratação em massa serviu para cooptar eleitores durante o período das eleições de 2022, violando o código eleitoral.

Qual foi o valor gasto com contratações questionadas?

Aproximadamente R$ 519 milhões são citados nos autos como despesa realizada apenas no primeiro semestre de 2022 para contratar os 27.600 temporários. Esse volume financeiro despertou suspeitas imediatas sobre a motivação eleitoral da gestão pública.

Existe possibilidade de recursos judiciais?

Sim, embora o TSE seja a instância máxima, há prazos e mecanismos para recorrer em instâncias constitucionais dependendo da natureza da questão, mas a probabilidade de revertida de fato consumado é baixa dada a unanimidade parcial da maioria votos.


Bruno Braga

Bruno Braga

Sou um jornalista especializado em notícias, com uma paixão por escrever sobre os acontecimentos diários no Brasil. Trabalho para um grande portal de notícias e adoro manter meu público informado sobre o que está acontecendo em nosso país.


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