
O Banco Central do Brasil decidiu, de forma unânime, elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, atingindo 14,25% ao ano. Essa decisão seguiu as expectativas do mercado e as orientações estabelecidas em janeiro de 2025. O principal motivo por trás dessa ação foi o temor crescente sobre as pressões inflacionárias que permanecem acima das metas estipuladas.
No comunicado emitido após a decisão, o comitê destacou com ênfase os riscos fiscais que o país enfrenta. De acordo com o texto, decepções recentes no campo fiscal contribuíram negativamente para a dinâmica inflacionária e deterioraram os fundamentos econômicos. Diante disso, o comitê sublinhou a importância de políticas fiscais e monetárias coordenadas para manter as expectativas inflacionárias no eixo desejado.
No que diz respeito à projeção da inflação, houve uma revisão para baixo na estimativa de 2024, agora em 5,1% comparado aos 5,2% inicialmente projetados. Para 2026, a expectativa subiu, situando-se em 3,9%. Apesar de certa estabilidade recente na taxa de câmbio, a inflação continua a desafiar as autoridades por estar persistentemente acima das metas, principalmente por causa das expectativas desancoradas e da inflação persistente nos serviços.
Além disso, o comitê observou sinais incipientes de resfriamento econômico, e tem se esforçado para equilibrar o controle da inflação com os impactos no crescimento econômico. Eles reconheceram que os efeitos da política monetária mais rígida podem ter um atraso para impactar mais fortemente a economia, o que pode justificar um ritmo mais brando para futuros aumentos das taxas.
A respeito das diretrizes futuras, o comitê sugeriu uma diminuição na magnitude dos aumentos nas reuniões subsequentes. Analistas do mercado projetam uma taxa terminal de 15% até o segundo trimestre de 2025, isso dependendo das tendências inflacionárias e dos desenvolvimentos fiscais. No entanto, a comunicação assumiu um tom mais moderado, sugerindo que, se a moderação econômica for mais rápida do que o esperado, a taxa terminal poderia ficar em 14,75%.
Por fim, os riscos externos, especialmente a incerteza sobre a política monetária dos EUA e agendas políticas internacionais, foram destacados como fatores de risco chave que podem afetar a estabilidade econômica do Brasil. O presidente Gabriel Muricca Galípolo ressaltou a necessidade de prudência das economias emergentes diante dessas incertezas globais, afirmando: ‘O cenário externo ainda exige cautela dos países emergentes.’